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A revista Nature publicou, em sua edição mais recente (19/01), artigo sobre mudanças nos ciclos de energia e água na bacia amazônica que apontam para uma possível transição na função da floresta de reservatório de carbono para uma fonte de emissão, em função das alterações climáticas globais e do desmatamento da floresta. O trabalho é uma compilação de informações geradas no âmbito do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA), uma das maiores experiências científicas do mundo na área ambiental (mais de 200 instituições nacionais e internacionais participantes), ao longo de mais de dez anos de estudos.
Entre os autores do artigo está o cientista americano Michael Keller. Pesquisador do Serviço Florestal Americano, ele atua na Embrapa Monitoramento por Satélite (Campinas/SP) desde 2011, como visitante. Keller foi durante dez anos o coordenador, por parte da Nasa, do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), que também contou com a participação da Embrapa Monitoramento por Satélite. Segundo o artigo, o LBA identificou sinais de que a floresta amazônica está passando, em suas porções sul e leste, por um processo de transição para um regime de distúrbios biofísicos. Embora o balanço de carbono de toda a bacia permaneça incerto, começam a surgir indicativos para uma mudança de direção de um possível reservatório para uma possível fonte de emissão de carbono. O estudo indica ainda que a floresta amazônica tem uma alta capacidade de resiliência, isto é, de superar uma situação crítica e retornar ao seu estado natural, porém há limites. O artigo aponta que a expansão agrícola e a variabilidade do clima tornaram-se importantes agentes de perturbação. As interações entre o fogo - decorrente do uso tradicional da terra (agricultura de derruba e queima) - e as mudanças climáticas globais podem desencadear distúrbios no equilíbrio natural da floresta amazônica, tornando-a mais vulnerável a processos de degradação. Segundo Michael Keller, a maior contribuição do programa, coordenado pelo Brasil, foi justamente possibilitar uma visão integrada das questões relacionadas à Amazônia, oferecendo análises científicas multidisciplinares. “Foi possível avaliar não só aspectos isolados, como por exemplo a agricultura, mas tomamos uma visão integral do sistema analisando as mudanças do uso e cobertura da terra, as variações climáticas e o sistema humano”, explica. Para Keller, os resultados publicados na Nature indicam possíveis ameaças. “São sinais que, do ponto de vista científico, chama a atenção para a manutenção das iniciativas em pesquisa para a região”. O artigo é assinado por especialistas do Woods Hole Research Center, Universidade de São Paulo, Universidade de Brasília, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Monitoramento por Satélite, National Center for Ecological Analysis & Synthesis, Columbia University, USDA Forest Service, Harvard University, University of Maryland, Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. O artigo pode ser lido na versão para a internet: http://www.nature.com/nature/journal/v481/n7381/full/nature10717.html#/emerging-evidence-for-a-transition .
LBA
Em parceria com a Universidade de Indiana (EUA), a Embrapa Monitoramento por Satélite coordenou, no âmbito do LBA, o projeto Dimensões Físicas e Humanas do Uso e Cobertura das Terras na Amazônia: Uma Síntese Multi-Escalar, realizando uma análise transversal sobre as dimensões sociais e biofísicas das transformações da paisagem. O estudo enfatizou áreas de assentamento rural, devido a sua relevância social e a seus impactos sobre o uso e cobertura das terras. Uma síntese dos resultados obtidos pelo projeto está presente no livro “Amazônia: natureza e sociedade em transformação”, publicado pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp). A obra foi organizada pelo chefe-geral e pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, Mateus Batistella, Emílio Moran, da Universidade de Indiana (EUA), e Diógenes Alves, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Batistella também foi presidente do comitê científico internacional, coordenando a elaboração do plano científico da segunda fase do LBA. Com informações do Portal Embrapa. Foto: Embrapa |