02/04/98 - 10:00 hs


MUDANÇAS NAS OPERAÇÕES DE DETECÇÃO E CONTROLE

A situação dos focos de incêndios e queimadas em Roraima começa a assumir uma nova dinâmica e exige outros cuidados. O desaparecimento das grandes frentes de fogo, a diminuição da intensidade dos poucos focos de incêndios, a dispersão dos raros remanescentes, a presença de nuvens e de chuvas isoladas tornou mais complexa a localização e o combate ao fogo. O deslocamento das equipes de combate necessita ser mais preciso. Em muitos casos, o fogo só é visível nas suas imediações. Isso exige uma maior acuidade na localização dos pontos de fogo remanescentes.

Para atender essa nova demanda operacional, a equipe da Embrapa recebeu e gerou mais de uma dezena de imagens de satélite sobre o Estado de Roraima nas última 24 horas, explorando os diversos canais de cada imagem de satélite. Os resultados foram estudados e trabalhados em conjunto com os oficiais do Exército. Todas as imagens e análises realizadas podem ser recuperadas pela internet no site do Núcleo de Monitoramento Ambiental (http://www.nma.embrapa.br/queimadas) ou no Centro de Pesquisa Agroflorestal de Roraima (http://www.cpafrr.embrapa.br/queimadas).

Um maior cuidado na localização dos focos remanescentes é fundamental para apoiar as operações de combate ao fogo, redimensionar os efetivos empregados e o seu redirecionamento. O dia de ontem foi marcado por chuvas, em quase todo o Estado, enquanto hoje, o sol aparece na parte central e leste. Ontem foi grande esforço coordenado do Exército para controlar e extinguir o maior número possível dos eventuais focos remanescentes de incêndios. Esse trabalho prossegue no dia de hoje.

O controle e a extinção dos incêndios, sobretudo na vizinhança de áreas habitadas, leva a um certo "silêncio" das demandas de ajuda por parte de prefeituras, pessoas e entidades locais. Nesse contexto, o monitoramento aéreo e orbital é fundamental para descobrir e combater dos eventuais incêndios remanescentes, sobretudo em áreas desabitadas e de difícil acesso.

SITUAÇÃO DO FOGO

A maioria dos focos de fogo remanescentes está localizada em áreas de preservação ambiental, regiões desabitadas e locais de difícil acesso. O Núcleo de Monitoramento Ambiental detectou alguns pontos de fogo próximos às nascentes do Surumu e nas vizinhanças da serra do Pacaraima, no norte do Estado. Essa é uma das áreas onde menos choveu, o que explica a persistência de pontos de fogo em alguns locais isolados, já que nos outros o Exército tem controlado e extinguido todos os remanescentes de fogo.

Na região da estação ecológica da Ilha de Maracá também foram detectados alguns pontos de fogo. Essa estação ecológica tem uma área de cerca de 101.000 ha e é conhecida mundialmente por sua altíssima biodiversidade. Uma atenção toda especial está sendo dada pelo Exército e pela equipe da Embrapa ao seu monitoramento. A estação ecológica possui uma vegetação muito particular. Toda a região da estação ecológica será objeto de um reconhecimento aéreo detalhado ao longo do dia de hoje. Um reforço de efetivos foi programado na região.

A equipe do Núcleo de Monitoramento Ambiental da Embrapa detectou alguns focos que ainda subsistiam ontem na área indígena Yanomami, no divisor de águas entre a bacia do rio Mucajaí e do rio Uraricoera. Outros focos isolados foram observados na região norte da serra da Raposa-Serra do Sol, próximos a localidade de Uiramutã. Na mesma faixa de latitude, pontos de fogo foram detectados na Guiana. A tendência desses focos é de desaparecer, mantidas as atuais condições meteorológicas. Finalmente, pequenas queimadas isoladas seguem aparecendo e desaparecendo em função das atividades dos índios, agricultores e pecuaristas em diversas regiões do Estado.

Isso é visível na comparação de imagens de satélite obtidas de madrugada, ao meio dia e no início da noite. Essas pequenas queimadas agrícolas prosseguirão em estado crônico, sobretudo no período da tarde, pois existe material vegetal morto e seco para ser eliminado. Elas resultam de uma tecnologia de produção tradicional que é o uso do fogo na agricultura brasileira. Essas queimadas não podem ser confundidas com o fogo observado ao longo de março, nem exigem um controle de emergência.

O retorno do sol e um eventual curto período de estiagem representam sempre um risco. Por isso, o alerta e os dispositivos de detecção montados pelo Exército e pela Embrapa estão sendo adequados e mantêm-se em pleno funcionamento.

SITUAÇÃO DO TEMPO

Apesar de uma provável redução das chuvas no dia de hoje, o tempo é favorável a eliminação dos focos de fogo. Os ventos moderados e fracos continuam vindos do setor nordeste e leste. Esses ventos trazem umidade do Oceano Atlântico e induzem a formação de nuvens. Prevê-se menos chuva, no dia de hoje e amanhã, do que nos dias precedentes. Mesmo assim deverão ocorrer chuvas isoladas em todo o Estado, sobretudo no período da tarde.

As chuvas estão correndo de forma mais importante na Guiana e no Suriname, contribuindo para apagar os focos de queimadas e incêndios nesses países. Na parte da manhã o sol esteve presente em muitas regiões de Roraima. A umidade do ar continua alta (80%) e as temperaturas mantiveram a queda, oscilando entre 21 graus de mínima e 32 de máxima na maioria das regiões.

Neste momento, a propagação de qualquer remanescente de incêndio ou o início de novas queimadas continua difícil pelas seguintes razões: a vegetação está molhada, o índice de umidade do ar aumentou, houve queda generalizada das temperaturas, vento diminuiu de intensidade e o Exército e a população seguem empenhados em extinguir o fogo por completo.