As últimas imagens do satélite NOAA, adquiridas pela estação móvel de recepção, instalada em Boa Vista pelo Núcleo de Monitoramento Ambiental da Embrapa em colaboração com o Ministério do Exército, confirmam o previsto: a extinção progressiva dos incêndios em Roraima.
Durante o dia de ontem e especialmente durante a noite, quando o contraste de temperatura do fogo com o meio ambiente é maior, especialistas da Embrapa e do Exército trabalharam cuidadosamente na busca de eventuais focos de incêndio. Houve uma intensa troca de dados digitais, via rede de comunicação eletrônica, entre o Centro de Pesquisa Agroflorestal de Roraima e Núcleo de Monitoramento Ambiental em Campinas, durante toda a noite de ontem para hoje.
Boa parte dessa produção de mapas e imagens pode ser observada pela Internet nos sites do NMA e do CPAF-RR. Nenhum foco novo de incêndio foi detectado em todo estado. Os pequenos focos de fogo, localizados ao norte, ao sul e no interior da Estação Ecológica da Ilha de Maracá estão sendo controlados pelo Exército e bombeiros, a partir da base de combate do Trairão.
A distribuição desigual das chuvas no território do Estado deixou pequenas manchas dispersas onde as precipitações foram menores. Nessas áreas, como a da Estação Ecológica da Ilha de Maracá, a vegetação continua seca e a temperatura localmente elevada. O risco de incêndio existe, até que as chuvas ocorram plenamente em todo Estado.
A equipe da Embrapa pode realizar uma coleta de dados ambientais sobre as áreas atingidas com o apoio da aviação do Exército. Esses dados vão ajudar no monitoramento da evolução futura da vegetação nas áreas queimadas.
A intensidade da fotossíntese nos diversos ecossistemas do Estado de Roraima, e principalmente nas áreas atingidas pelos incêndios e queimadas, começa a ser monitorada por satélite pela equipe da Embrapa.
Isso vai dar uma primeira indicação objetiva do real impacto ambiental do fogo sobre a vegetação, bem como uma estimativa das áreas queimadas. Através do monitoramento dos índices normalizados de vegetação (NDVI) será possível ter-se, igualmente, uma idéia da velocidade do processo de "cicatrização" nos diversos ecossistemas. A recuperação da vegetação será diferenciada nos cerrados, campos, matas e lavrados.
As primeiras observações de campo indicam que o impacto nas áreas de floresta aberta foram menos importantes do que os estimados inicialmente por certos especialistas. Há evidências de que a fitomassa queimada também foi bem menor do que imaginava-se.
Os reconhecimentos aéreos e de campo indicam, também, uma rápida recuperação da vegetação nos cerrados e lavrados. Existem áreas onde já é quase impossível reconhecer a passagem do fogo.
Como já havia sido comentado ontem, pequenas queimadas isoladas seguirão aparecendo e desaparecendo, em função das atividades agrícolas dos índios, agricultores e pecuaristas em diversas regiões do Estado, principalmente no norte onde concentram-se as áreas indígenas com maior tradição agrícola.
Essas pequenas queimadas prosseguirão em estado crônico, sobretudo no período da tarde, pois existe material vegetal morto e seco para ser eliminado. Elas resultam de uma tecnologia de produção do Neolítico, ainda tradicional, que é o uso controlado do fogo na agricultura brasileira.
O retorno do sol e um eventual curto período de estiagem representam sempre um risco de perda de controle do fogo, sobretudo em caso de vento forte, o que não é o caso atualmente.
O sistema de monitoramento por satélite permite detectar e identificar, com grande precisão, o aparecimento de novas queimadas. Um sistema permanente de monitoramento ambiental poderia servir para apoiar a fiscalização por parte das instituições e autoridades estaduais.
Uma parceria nesse tema está sendo estudada entre o Ministério do Exército, o Núcleo de Monitoramento Ambiental e o Centro de Pesquisa Agroflorestal de Roraima. O nível de alerta foi reduzido.
Os dispositivos de detecção montados pelo Exército e pela Embrapa estão sendo progressivamente desmobilizados e/ou transferidos para as instituições federais permanentes na área e instâncias locais.