03/04/98 - 12:00 hs


FIM DOS INCÊNDIOS E O INÍCIO DO MONITORAMENTO VEGETAL

SITUAÇÃO ATUAL

As últimas imagens do satélite NOAA, adquiridas pela estação móvel de recepção, instalada em Boa Vista pelo Núcleo de Monitoramento Ambiental da Embrapa em colaboração com o Ministério do Exército, confirmam o previsto: a extinção progressiva dos incêndios em Roraima.

Durante o dia de ontem e especialmente durante a noite, quando o contraste de temperatura do fogo com o meio ambiente é maior, especialistas da Embrapa e do Exército trabalharam cuidadosamente na busca de eventuais focos de incêndio. Houve uma intensa troca de dados digitais, via rede de comunicação eletrônica, entre o Centro de Pesquisa Agroflorestal de Roraima e Núcleo de Monitoramento Ambiental em Campinas, durante toda a noite de ontem para hoje.

Boa parte dessa produção de mapas e imagens pode ser observada pela Internet nos sites do NMA e do CPAF-RR. Nenhum foco novo de incêndio foi detectado em todo estado. Os pequenos focos de fogo, localizados ao norte, ao sul e no interior da Estação Ecológica da Ilha de Maracá estão sendo controlados pelo Exército e bombeiros, a partir da base de combate do Trairão.

A distribuição desigual das chuvas no território do Estado deixou pequenas manchas dispersas onde as precipitações foram menores. Nessas áreas, como a da Estação Ecológica da Ilha de Maracá, a vegetação continua seca e a temperatura localmente elevada. O risco de incêndio existe, até que as chuvas ocorram plenamente em todo Estado.

A equipe da Embrapa pode realizar uma coleta de dados ambientais sobre as áreas atingidas com o apoio da aviação do Exército. Esses dados vão ajudar no monitoramento da evolução futura da vegetação nas áreas queimadas.

O MONITORAMENTO DO DANO AMBIENTAL E DA VEGETAÇÃO

A intensidade da fotossíntese nos diversos ecossistemas do Estado de Roraima, e principalmente nas áreas atingidas pelos incêndios e queimadas, começa a ser monitorada por satélite pela equipe da Embrapa.

Isso vai dar uma primeira indicação objetiva do real impacto ambiental do fogo sobre a vegetação, bem como uma estimativa das áreas queimadas. Através do monitoramento dos índices normalizados de vegetação (NDVI) será possível ter-se, igualmente, uma idéia da velocidade do processo de "cicatrização" nos diversos ecossistemas. A recuperação da vegetação será diferenciada nos cerrados, campos, matas e lavrados.

As primeiras observações de campo indicam que o impacto nas áreas de floresta aberta foram menos importantes do que os estimados inicialmente por certos especialistas. Há evidências de que a fitomassa queimada também foi bem menor do que imaginava-se.

Os reconhecimentos aéreos e de campo indicam, também, uma rápida recuperação da vegetação nos cerrados e lavrados. Existem áreas onde já é quase impossível reconhecer a passagem do fogo.

AS QUEIMADAS AGRÍCOLAS

Como já havia sido comentado ontem, pequenas queimadas isoladas seguirão aparecendo e desaparecendo, em função das atividades agrícolas dos índios, agricultores e pecuaristas em diversas regiões do Estado, principalmente no norte onde concentram-se as áreas indígenas com maior tradição agrícola.

Essas pequenas queimadas prosseguirão em estado crônico, sobretudo no período da tarde, pois existe material vegetal morto e seco para ser eliminado. Elas resultam de uma tecnologia de produção do Neolítico, ainda tradicional, que é o uso controlado do fogo na agricultura brasileira.

O retorno do sol e um eventual curto período de estiagem representam sempre um risco de perda de controle do fogo, sobretudo em caso de vento forte, o que não é o caso atualmente.

O sistema de monitoramento por satélite permite detectar e identificar, com grande precisão, o aparecimento de novas queimadas. Um sistema permanente de monitoramento ambiental poderia servir para apoiar a fiscalização por parte das instituições e autoridades estaduais.

Uma parceria nesse tema está sendo estudada entre o Ministério do Exército, o Núcleo de Monitoramento Ambiental e o Centro de Pesquisa Agroflorestal de Roraima. O nível de alerta foi reduzido.

Os dispositivos de detecção montados pelo Exército e pela Embrapa estão sendo progressivamente desmobilizados e/ou transferidos para as instituições federais permanentes na área e instâncias locais.